GRAACC São Paulo

Referencial na saúde

O edifício estreito e alongado do Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC), anexo 1, conclui a etapa inicial Também está prevista uma ligação de pedestres entre as vias próximas. O objetivo é obter a máxima fruição de pessoas que utilizam o conjunto hospitalarLuiz Felipe Aflalo Hermande ampliação do hospital. O prédio ocupa um terreno de 4.700 m², tem área de 8.400 m² e chega na Vila Clementino, zona sul de São Paulo, como um referencial de arquitetura da saúde. O projeto é do aflalo/ gasperini arquitetos, com consultoria em saúde do escritório Bross. Conformado ao terreno, o acesso é feito pela rua Pedro de Toledo.

O projeto total – primeira e segunda fase, somando dois anexos – também é de responsabilidade do aflalo/gasperini arquitetos. Trata-se de um grande complexo com área construída de 31 mil m², com parte do programa atual remodelado. Na etapa posterior, serão usados os mesmos materiais de revestimento e acabamento presentes no Anexo 1, e uma das fachadas do conjunto estará voltada para a Rua Borges Lagoa. “Também está prevista uma ligação de pedestres entre as vias próximas. O objetivo é obter a máxima fruição de pessoas que utilizam o conjunto hospitalar”, explica Luiz Felipe Aflalo Herman.

Programa

Junto ao terreno retangular de 14 metros de largura já existia um edifício da instituição. Por isso era necessário projetar um novo prédio conectado à construção, existente por meio do pavimento térreo e de algumas pontes localizadas nos andares superiores. Linear, com térreo, seis pavimentos e dois subsolos com duas caixas de circulação vertical, o anexo do GRAACC é uma lâmina e tem, em seu programa, consultórios e instalações administrativas e gerenciais.

São áreas de pronto-atendimento, várias atividades de apoio, como salas de terapias específicas e reabilitação lúdica, laboratórios de pesquisa, além de sofisticados equipamentos de radioterapia instalados no subsolo. O local onde é feito o tratamento radioterápico recebeu um projeto diferenciado para manter o isolamento. As paredes que abrigam essas máquinas são de concreto, robustas e de espessura maior. Mas um dos maiores ganhos trazido pelo espaço é a possibilidade de o tratamento ser disponibilizado no próprio hospital. “Isso evita o deslocamento de pacientes até outras unidades de saúde”, conta Felipe Aflalo.

Pele dupla envidraçada

GRAACC - Anexo I - Referencial na saúde
A escultura, presa ao teto, tira partido do pé-direito generoso, cuja função é integrar o espaço público Foto: Ana Mello

fachada voltada para a rua é formada por placas retangulares de vidro na cor branca, de vários tamanhos. Quatro rasgos – pequenas reentrâncias – deixam ver a segunda pele envidraçada. Nas laterais, o vidro no mesmo tom dá origem a faixas horizontais intercaladas com o envidraçamento de maior transparência.

No interior, o pé-direito duplo existente no acesso é sinalizado por uma caixa de vidro e dois pilares cilíndricos de concreto aparente. A altura generosa do ambiente tem a função de integrar o espaço público. Do teto, pende uma escultura multicolorida. Toda a decoração de interiores, planejada pelo escritório Ateliê Cenográfico, utiliza cores diferentes em paredes e pisos de cada pavimento.

Iluminação e ventilação natural

Iluminação e ventilação natural foram aspectos privilegiados.Consideramos o baixo custo despendido com a limpeza das fachadas ao longo da vida útil do edifícioRoberto Aflalo FilhoTodo o fechamento externo utiliza o vidro; nas áreas fechadas, o material é opaco de cor branca; nas abertas, os arquitetos optaram por um tipo na tonalidade verde, de alta performance na retenção de calor, ideal para manter a temperatura interna agradável. A manutenção é outro fator influenciador na escolha do vidro. “Consideramos o baixo custo despendido com a limpeza das fachadas ao longo da vida útil do edifício”, detalha Roberto Aflalo Filho.

Complexo universitário

O projeto do GRAACC, realizado por aflalo/gasperini arquitetos atende não só às peculiaridades do lote no qual está implantado, mas à intenção do poder público municipal de transformar parte da Vila Clementino em um bairro universitário. Elementos como calçadas mais amplas, circulação prioritária para o transporte coletivo e ambulâncias – e a permeabilidade no interior de quadras providas de boulevares, praças e ruas – fazem parte do programa. Assim, o partido foi planejado com características integradas às propostas urbanísticas, como a possibilidade de cruzar o complexo internamente.

Fonte: Galeria da Arquitetura — https://www.galeriadaarquitetura.com.br/projeto/aflalogasperini-arquitetos_/graacc-anexo-i/2513